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quinta-feira, setembro 22, 2005



Justiça
Horemheb fazia guarda ao tumulo do Farao. Ainda não fora enterrado mas parte das riquezas que o iriam acompanhar ja estavam no tumulo. Nada poderia perturbar o sossego daquele Farao-menino ,tao barbaramente assassinado. Ao menos, na sua viagem eterna poderia ser feliz. Tinha tido poucos momentos agradaveis na sua curta vida e Horemheb estava determinado
a nao deixar que nada acontecesse sob a sua guarda.
Começava a cair a noite e um vento frio percorreu o Vale dos Reis. Sabia que o que estava a guardar era precioso, tudo acompanharia o Farao na sua longa viagem pelo Rio-Céu ate ao julgamento final do seu Ka.
Horemheb tinha sido educado na religiao monoteista de Aton , o Deus Solar. Deus unico que governava a Terra e o Ceu com sua imensa sabedoria e justica. Assistira a reposição da antiga religiao politeista, após a morte do Faraó Akhen-Aton (seria Amenofis IV, mas mudara o nome em honra do seu Deus) , com o desfilar dos seus deuses e deusas que nao compreendia muito bem. A Deusa Ma-at – da justica e do equilibrio – era a que mais se assemelhava a Aton mas era so parte dele. Claro que tinha calado fundo as suas crenças sob as novas ordens. Seria destituido do exercito e, quem sabe, morto se as ousasse expressar. O monoteismo de Akhen-Aton , viera desiquilibrar a ordem e organização do Egipto. Tirara o poder aos sacerdotes e vizires que governavam as provincias atraves dos templos dedicados aos inumeros deuses. Ao impor um Deus unico, Aken-Aton tinha centralizado, ainda mais, o poder e a organização economica do Egipto. Mudara a capital para Tell-el-Amarna que construira de raiz para a adoração do seu Deus Aton e, onde residia com a sua mulher Nefertiti e as sua filhas. A Quarta, Ank-Paton viria a ser a mulher do Farao Tut- Ank- Amon. Casaram ainda criancas, ele com 9 anos e ela com 5. Tut-Ank-Amon era o unico filho varao de Aken-Aton, nascido de uma concubina.
A paz que se fez sentir durante os 20 anos do seu reinado aumentara, ainda mais, a frustração dos sacerdotes que haviam perdido o poder.
Porém o desiquilibrio, economico e politico, ameaçava a independência do Egipto
Quando Tut-Ank-Amon subiu ao trono (com apenas 15 anos), como herdeiro legal de seu Pai e sogro, os sacerdotes de Amon souberam fazê-lo desistir das ideias hereticas de seu Pai e retomar, assim, o poder que lhes tinha sido retirado.

Horemheb suspirou. Era uma grande honra estar de guarda ao tumulo do Farao mas, ao mesmo tempo, era um trabalho solitario e perigoso. Se fosse atacado por ladrões de tumulos so tinha uma lança e um punhal para se defender . E estava sozinho naquela imensidão. Os outros guardas dormiam nas tendas bastante longe dali.
De subito virou-se! Tinha ouvido um ruido surdo, como que um rastejar. Mas não era uma cobra era algo mais pesado, como um corpo. Embora o luar iluminasse todo o Vale dos Reis, Horemheb não conseguia distinguir com clareza os pormenores. Ouviu outra vez o rastejar, pegou no archote e deu uma volta ao tumulo. Nao conseguia ver nada e pensou que era a sua imaginação a pregar-lhe partidas. Deu, mais uma volta em redor e voltou ao seu posto, ao lado da grande porta de entrada do Tumulo.
De repente sentiu-se sufocar. Maos de ferro agarravam-lhe o pescoco por trás , tentando estrangula-lo. Horemheb valeu-se do treino que tinha no exercito, agarrou os bracos do atacante e puxou-o violentamente para a frente. O homem fez uma curva por cima da sua cabeca e foi estatelar-se nos degraus de acesso ao tumulo. Horemheb ia mata-lo com a sua espada mas ouviu barulhos de dentro do tumulo. Eram os ladroes e, se nao os impedisse , iam saqueá-lo.
Abriu a pesada porta e apontou o archote para o interior. Era uma ante-camara, ainda vazia, que dava acesso a Camara Real. De lado havia uma porta com outra camara mais pequena, sem saida que ja se encontrava recheada de tesouros e oferendas que acompanhariam o Farao na sua viagem final. A porta de pedra estava entreaberta. Era ali que estavam os ladroes. Nao hesitou. Empurrou a porta e trancou-a com a pesada trave de madeira que se encontrava caida no chao. Aqueles nunca mais veriam o Sol a nascer. O outro tivera mais sorte e fugira. Fora contar ao resto do bando como os seus companheiros tinham sido enterrados vivos , naquela camara minuscula, devido à sua ganância.
Se aquele destino era cruel – pensou Horemheb – mais cruel seria o julgamente a que seriam sujeitos no tribunal de Osiris. A profanação do tumulo do Rei-Deus era um crime sem perdão. Fora feita justiça.
Zica Caldeira Cabral

3 Comments:

Blogger Menina_marota said...

Tenho que sair agora, mas não vou perder este texto, quero lêr-lo com calma, o texto anterir, deixou-me tão comovida... vou sair com o meu fiel Amigo Sting... ele está aqui a pedir...

Jinhos ;)

12:24 da tarde  
Blogger Poesia Portuguesa said...

Adoro estas histórias... muito bem contada!

Bom fim de semana :)

11:03 da tarde  
Anonymous Rafael Ramesses said...

adorei sua historia.......não deu pra verv toda porque estou com um pouco de pressa mas gostei!

9:05 da tarde  

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