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quinta-feira, outubro 06, 2005



Dentro das muralhas do Castelo, erguido numa posição estratégica, no cimo do monte, vivia uma pequena população formada pelos servos e por artifices que davam apoio à manutenção do mesmo. Havia um ferreiro, um oleiro, um vidreiro, uma padaria que fornecia o pão às cozinhas e aos trabalhadores, internos e externos, um cesteiro que além de fazer os cestos e peneiras, fazia, tb, os telhados de colmo das casinhas que se erguiam dentro das muralhas onde viviam os artífices.
O aparecimento de um novo criado despertou a curiosidade de todos e aos poucos tentaram aproximar-se para conhecer aquele estranho em quem o Amo parecia tanto confiar.
Torto podia ter ensinado muito ao ferrador, por exemplo, pois era jovem e enexperiente, porém, nunca quiz confraternizar com nenhum artífice ou trabalhador, mantendo uma rigida postura à parte. Não admitia que ninguém lhe chamassem “Torto” e passou a utilizar o seu nome proprio, Fernão.

Do alto da torre de menagem a vista, para Sul, estendia-se até ao mar englobando a cidadezinha que nele se banhava e dele vivia. Para Norte, eram campos cultivados com cereais e productos horticulas e florestas cheias de caça e um grande lago cheio de peixe que fornecia o Castelo e os servos e, segundo o seu Senhor lhe dissera aquelas terras e todos os camponeses pertenciam a sua Mãe, a ele e aos irmãos. Tudo tinha um ar ordenado e tratado e parecia que, sob a administração daquela familia todos os que a serviam eram felizes. Se algum camponês adoecia era logo mandado o físico do Castelo para o tratar e as crianças brincavam e corriam felizes e saudaveis ao pé dos seus pais.

Todos os dias, após realizar os seus deveres de criado/escudeiro, “Torto” ía para uma sala enorme, com duas mesas corridas, cadeiras e as paredes forradas de prateleiras cheias de livros. Chamavam-lhe a Livraria e era lá que Frei Bento o ensinava. Ao principio tudo era uma confusão, nem era tanto a leitura mas a escrita, complicada e cheia de arabescos. Mas sabia que era importante para os seus planosde alcançar uma vida diferente. E a poucos, quase nenhuns, camponeses era dada a oportunidade de aprender a escrever e a ler. Ao fim de alguns meses “Torto” já dominava, perfeitamente, a leitura e começou a ionteressar-se pelos muitos livrosque o rodeavam. Pediu licença ao Senhor para os ler e ele, contente, concedeu-lha de imediato.
- Estou orgulhoso de ti – disse-lhe – tudo o que quizeres lêr está ao teu dispôr.
E aos poucos foi-se cultivando, aprendendo tudo o que podia e, ganhando mais e mais a confiança do Nobre.

Dois anos se passaram e foi feito Intendente do Castelo. O seu feitio desconfiado e agreste suavizou-se e já não parecia o rude camponês sujo de fuligem que seguira D. Gastão. Aprendeu a falar com a Senhora como um verdadeiro fidalgo. Com o cargo de Intendente tinha contacto com outros Intendentes, administradores e fidalgos ,vassalos do seu Senhor.E a ambição turvou-lhe as ideias. Porque não apoderár-se de tudo o que a sua vista alcançava? Era preciso pensar e planear. Finalmente o seu mau caracter que nunca tinha desaparecido, a inveja, o despeito e o orgulho excessivo vinham ao de cima depois destes dois anos de os silenciar. Para todos era o Intendente simpático, honesto,que tinha sempre uma boa palavra para todos. No fundo era um homem cruel que não olhva a meios para alcançar os seus fins.
A Senhora ainda era muito nova e bonita e os 3 filhos menores precisavam de um Pai, pensou. D. Gastão estava ao serviço do Rei e poderia ser chamado para outra Cruzada. Não poderia recusar.
Mas “Torto” – agora já só lhe chamavam por seu nome , Fernão - tinha que pensar em todos os pormenores. Não podia haver falhas.

O primeiro grande obstáculo era a sua origem servil. Sabia muito bem que nobres só se casam com nobres e ainda mais com a fortuna que estes tinham.
Começou, discretamente, por inventar uma história romântica à cerca do seu nascimento. Seus pais, nobres de nascimento tinham sido assaltados por salteadores quando faziam uma viagem sem escolta. Ele tinha sido raptado em bébé e tinham-no deixado naquela aldeia onde crescera e encontrara o seu Senhor. Duas velhotas tinham-no recolhido com a promessa dos salteadores de lhes darem dinheiro porque seus pais eram muito ricos. Mas como os homens nunca mais parecessem as velhotas lá se condoeram da criança e, mal ou bem criaram-no até morrerem ambas quando ele tinha 12 anos. Entrara ao servilço do Ferreiro da aldeia e lá ficara por falta de melhores oportunidades
E ía acrescentando pormenores consuante a imaginação do momento. Mas o principal tópico , a nobreza do seu sangue, estava sempre latente nas versões que contava. Em cada encontro com nobres vizinhosou seus intendentes, Fernão ía-se insinuando e sedimentava as suas falsas raízes.

3 Comments:

Blogger Manel do Montado said...

More, more, give me more...
Looking forward to see the III act.
Este Torto interessa-me, ele há cá cada interesseiro!
Bjokas e obrigado por visitares sempre o meu montado.
Have a nice wek end!

4:37 da tarde  
Blogger Furão said...

Minha querida Zica! Tu não me digas que descobriste a árvore genealógica do meu Artur do Século XXI? Temos que juntar as duas crónicas, um dia destes. Vais ver que dará uma boa epopeia! Do mesmo modo como esperas o desfecho da brilhante carreira de Artur, fico à espera do mesmo desfecho da do Torto!

Bjs

9:05 da tarde  
Anonymous Assunção said...

Ai Zica... isto tipo novela, aos bocadinhos... é para me matar do coração com tanta ansiedade, é???
Estou a adorar este conto!!!

3:19 da tarde  

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